Alcoolismo, o vilão brasileiro

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Alcoolismo, o vilão brasileiro

Fonte: O Globo

O alcoolismo é o principal fator de risco de morte no Brasil. A informação é da Carga Global de Doenças 2010, documento organizado pelo Instituto de Métrica e Avaliação de Saúde (IHME) da Universidade de Washington e realizado em parceria com dezenas de universidades ao redor do mundo. O resultado do esforço global, que será divulgado hoje na revista científica “The Lancet”, lista 67 problemas que mais afetam a população mundial. No planeta, hoje o maior mal é a pressão arterial alta, que em 2010, ano referência do levantamento, matou cerca de 9 milhões de pessoas e chegou a afetar 173 milhões de indivíduos.

Cada região, porém, tem uma lista particular. O Brasil foi colocado em uma área denominada “América Latina Tropical”, que inclui também o Paraguai.

A estimativa do estudo é que o alcoolismo afete cerca de 5,64 milhões de pessoas nestes dois países. Em 2010, foram aproximadamente 151 mil mortes pelo problema. O segundo fator de risco é a pressão alta, responsável por mais mortes (cerca de 274 mil), mas que afeta em torno de 5,3 milhões de indivíduos. Em terceiro lugar, a obesidade, com 4 milhões de pacientes e 141 mil falecimentos naquele ano.

Chama a atenção, no estudo, a diminuição da importância de riscos relacionados à subnutrição.

A mortalidade infantil pelo problema caiu 60% entre 1970 e 2010 em todo o mundo. Passou de 16,4 milhões por ano para 6,8 milhões. Há 20 anos, as pessoas não tinham o suficiente para comer. Hoje, há muita comida e alimentos pouco saudáveis, mesmo em países em desenvolvimento — declara Majid Ezzati, um dos autores do estudo pela Escola de Saúde Pública do Imperial College de Londres.

O QUE INCOMODA NÃO MATA

O estudo contou com a ajuda 302 instituições e analisou a realidade de mais de 180 países. Com 486 autores, o trabalho é considerado o maior a quantificar os níveis e tendências em problemas de saúde no mundo.

O documento chega à conclusão de que o que incomoda não mata. Em outras palavras, os investimentos globais buscam tratar doenças fatais. Alerta, porém, para a falta de atenção adequada a males que geram dores e provocam desconforto a pacientes, apesar de não levarem à morte. Entre 1990 e 2010, a expectativa de vida global cresceu aproximadamente cinco anos. Um menino nascido em 2010 pode esperar chegar a 67,5 anos e, uma menina, a 73,3.

Aumentou a expectativa de vida, mas as pessoas estão cada vez mais doentes.

— Individualmente, pode significar uma necessidade de recalibrar a vida, pensando sempre em nossos 70 ou 80 anos — define Christopher Murray, diretor do IHME.

Para o psiquiatra Nelson Caldas, da Divisão de Psiquiatria e Psicologia Médica do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o estudo mostra que houve uma preocupação em relação ao aumento da expectativa de vida, mas não com a conscientização e adoção de hábitos mais saudáveis.

— O alcoolismo pode levar a inúmeros problemas como, inclusive, obesidade e pressão alta, que estão no topo da lista — comenta Caldas, que ainda propôs uma mudança de raciocínio sobre políticas públicas. — É o caso de pensar se as campanhas de alerta sobre o problema têm sido realmente eficazes.

AUMENTA TABAGISMO, CAI FOME INFANTIL

Os índices de alcoolismo no mundo surpreenderam os pesquisadores. O hábito de fumar é o principal fator de risco para saúde na América Latina, no Leste Europeu e na África Subsaariana.

O problema foi o responsável por 4,9 milhões de mortes em 2010 em todo o planeta e afeta 136 milhões de pessoas.

No mundo, está em terceiro lugar, atrás do tabagismo.

Os dois fatores ultrapassaram a fome infantil, primeiro lugar de 1990, ano da primeira pesquisa da Carga Global de Doenças.

Nos países desenvolvidos, basicamente na Europa Ocidental e na América do Norte, o tabagismo aparece como maior vilão. O fumo levou à morte 6,3 milhões de pessoas do mundo e afeta 156 milhões de indivíduos.

Em todo o mundo, a obesidade foi o fator que mais cresceu desde 1990. Passou da décima colocação para a sexta. Foram 3 milhões de mortes em todo o planeta em 2010, ano da avaliação do documento. Ao todo, são afetadas 93 milhões de pessoas. Há 20 anos, foram 1,9 milhão de mortes e 51 milhões afetados.

— O quadro global, porém, disfarça as tendências das doenças quando são analisadas regionalmente. Os riscos associados à pobreza, por exemplo, continuam a ser os principais problemas na África Subsaariana — explica Majid Ezzatti


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